segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Ilha de Maiandeua / Algodoal



Que tal conhecer um pequeno paraíso, que é ideal para quem curte praia, aventuras e lugares exóticos. Localizada na costa do estado do Pará, a Ilha de Maiandeua é um desses lugares inesquecíveis. O trajeto começa na rodoviária de Belém, de onde partem ônibus que levam quatro horas para alcançar o porto de Marudá.





Marudá faz parte da cidade de Marapanim, que é conhecida como a terra do carimbó, uma dança típica muito animada. Localizada á 120 km de Belém, suas praias são paradisíacas. Do Porto de Marudá saem pequenos barcos, que no Pará são chamados de "Pô-pô-pôs". Embora tenham partidas em horários específicos, a saída depende da tábua das marés ou das condições climáticas, que pode ser adiantada, postergada ou até cancelada.




As marés alta e baixa estão ligadas à força de gravitacional da Lua e da Terra. O fenômeno chamado maré de sizígia é muito comum entre os meses de março e outubro. No Pará, o alagamento de ruas aumenta, pois, além da maré há a presença constante das chuvas durante o mês de março.

Quando a maré está baixa é possível ver os bancos de areia que podem encalhar os barcos. Nesse período de maré baixa os catadores de mariscos tentam fazer o seu trabalho o mais rápido possível. Também aparecem muitas garças e outras aves em busca de seu alimento.

Quando a maré começa a subir, a entrada de água vinda do mar é assustadoramente rápida, fazendo com que em poucos minutos todos os bancos de areia já estejam submersos. Chega então a hora de embarcar e iniciar a travessia entre Marudá e Algodoal.




A travessia entre Marudá/Algodoal dura em torno de 45 minutos e tem a fama de ser muito agitada. Por ir de encontro a muitas ondas, algumas vezes pode balançar bastante. No trajeto pode-se observar os muitos currais que são montados para a captura de peixes e de camarões que entram na maré alta e permanecem ilhados quando a maré baixa, ficando assim vulneráveis à captura.

Nessas estruturas de madeira, principalmente ao final da tarde, é comum observar muitas garças, mergulhões e outras aves que descansam por ali antes de seguirem para a passagem da noite no manguezal. É interessante é observar o vai-e-vem dos pequenos barcos coloridos usados pelos pescadores artesanais.




Canoas a vela, coloridas, pintadas com esmero, mastros baixos, velas de cores fortes e enormes lemes. É lindo de ver a prática de manejo por parte dos caboclos. Eles demonstram estar em seu elemento natural. Abrem e fecham as velas com facilidade. E quando navegam a favor do vento alcançam velocidades consideráveis.

O segredo de construção dessas embarcações típicas, passa de pai para filho há gerações. Não há plantas e nem cálculos complicados. Apenas o costume centenário. Ao final o resultado é sempre funcional, prático, adaptado às condições locais de navegação. É fantástico ver que essa antiga tradição ainda sobrevive em pleno século 21.




Ao chegar na ilha muitas charretes aguardam os turistas, isso porque não é permitido o tráfego de veículos automotores. Nas comunidades encontram-se pessoas simples e muito receptivas, que vivem basicamente da pesca, da agricultura de subsistência e, ultimamente, do turismo. 




Todas as ruas são de terra batida e não possuem iluminação elétrica. A energia elétrica só chegou na ilha em 2005, mas só é usada nas casas, no comércio e nas pousadas. Internet e celular só funcionam em alguns pontos.




Há pousadas com piscina e café da manhã buffet, mas também pode-se optar por hospedagens mais simples, como nas áreas de camping e nos redários, que cobram apenas uma taxa para quem quiser colocar sua rede. O abastecimento de água potável é feito por meio de poços artesianos.




Existem na ilha quatro vilas: Fortalezinha, Camboinha, Mocooca e Algodoal, que são separadas por manguezais e seccionadas por canais de maré. Apesar de haver muitas pousadas em diversos pontos da ilha, a melhor infraestrutura para turistas fica na Vila de Algodoal.




Segundo contam, Algodoal foi o nome dado pelos primeiros pescadores que chegaram na localidade na década de 1920, que faz referência à grande quantidade da espécie algodão-de-seda, cujas sementes possuem pelos plumosos de cor branca e que ao flutuarem pela ação dos ventos, lembravam o algodão.




Em volta da ilha há belas praias, que possuem grandes extensões de areia. As águas tem uma temperatura muito agradável e dunas de areia estão por toda parte. Logo à frente da Vila de Algodoal está a Praia da Caixa D’Água, onde há bares que servem refeições e bebidas. Porém essa praia não serve para banho enquanto a maré está baixa. 



Em algumas praias existem quiosques que servem refeições simples, peixe frito, a caldeirada, lanches e bebidas como cerveja e a caipirinha, mas alguns só funcionam na época de verão. Diferente de outras regiões, o verão amazônico acontece entre os meses de julho e outubro. Aliás essa é a melhor época para visitar a ilha. 




A alta temporada em Algodoal é entre junho e julho, época em que a ilha fica lotada de turistas. Em dezembro, próximo às festas do final de ano a vila também recebe muitos visitantes. A partir de janeiro até meados de maio as chuvas constantes espantam os turistas, por isso muitos bares, restaurantes e pousadas ficam fechados.




Depois de cruzar o primeiro "furo" chega-se à Praia da Princesa. Os tais "Furos" são muito comuns em toda a Amazônia. Trata-se dos canais estreitos e profundos que atravessam de uma região para outra. Classificada pela revista América Times como a praia mais bonita do Brasil, a Praia da Princesa tem ondas fortes e quase 15 km de areia.




O nome dessa praia deve-se a uma lenda, que muitos pescadores juram ser real. Segundo contam, dois pescadores estavam na praia à noite puxando a rede quando viram uma mulher maravilhosa se aproximar deles e logo desapareceu. E assim surgiu a lenda de que naquelas águas existia um reino encantado onde vivia uma princesa.




A ilha é banhada pelo Oceano Atlântico e quando a mar recua formam-se piscinas naturais nas rochas espalhadas por toda a extensão da areia. O agito maior é no Bar da Pedra, onde à noite rolam festas com bandas ao vivo e DJs durante a temporada.


 


Seguindo a imensa praia chega-se ao chamado Furo Velho, canal maior que separa a Praia da Princesa da Praia de Fortalezinha. Daí para frente a praia é totalmente selvagem. Também é possível chegar à Fortalezinha a pé por uma trilha, que sai após a travessia do Canal do Mupéu, ao lado do cais. É recomendável fazer a trilha com o sol mais baixo. Ao retornar, caso a maré esteja alta, é preciso usar canoa a remo.

O Igarapé da Tia Nazaré, localizado no percurso terrestre que liga Algodoal à Fortalezinha, é uma área pouco frequentada por turistas. Durante um passeio de barco pela Baia de Maracanã pode-se admirar a falésia de Fortalezinha. Próximo à Vila de Fortalezinha encontra-se o Lago Grande, que tem uma exuberante paisagem.




Cercada por areias brancas e finas, águas verdes, pequenas piscinas naturais formadas ao baixar da maré, manguezais, gaivotas, guarás, assim é a praia da Vila de Fortalezinha. Com 7 km de extensão, o local é ótimo também para a pesca esportiva. O acesso à vila se dá por meio de barco a motor em 20 minutos ou de carroça em 50 minutos, só de ida.

Nas proximidades da vila encontram-se ruínas de uma pequena fortaleza construída pelos jesuítas, na época da colonização. Tempos depois, um grupo de cearenses tentou reconstruí-la com as mesmas pedras do local, mas utilizando cimento. O local está cercado de arame e já pertenceu a várias pessoas. O dono atual reside no Rio de Janeiro. 





Na Praia de Fortalezinha, as águas são mais calmas e as ondas são mais fracas. O local é repleto de manguezais com areia acinzentada e fina. Logo adiante está a Praia do Mocooca, que pertence à Vila de Mocooca e tem ventos fortes e coqueiros espalhados em linha reta pela praia.

Próximo à Vila de Camboinha encontra-se a Pedra Chorona, um fenômeno natural de vazão de água que faz parte do folclore local. Por ver a água brotando dela, os antigos nativos acreditavam que a pedra realmente estava chorando. Porém na verdade tratava-se de um olho d’água. O passeio até lá poderá ser feito de carroça ou barco a motor.




A Trilha de Mangue é feita em dois percursos. A primeira parte é feita de canoa a remo pelo mangue e pode durar 20 minutos a favor da correnteza e até 30 minutos contra. A segunda parte do percurso é uma caminhada de 40 minutos rumo ao lago da Princesa. No manguezal há grande diversidade de aves e mamíferos.




Em seguida, a trilha atravessa uma pequena mata de cajueiros e cebolas bravas, denominada de mata da Rocinha, onde há muito pouca penetração de luz. Já chegando perto do lago a caminhada se torna menos exaustiva. Com suas águas de cor vermelha, muitos o chamam de Lago Coca-Cola.

Escondido atrás das dunas da praia e acessível através de uma trilha, o lago é o único local da ilha com água doce, que serve para matar a sede dos animais durante o verão. Mesmo tendo uma coloração diferente, as águas não são impróprias para banho. Por isso é um local agradável para refrescar. 




Algodoal se tornou uma APA – Área de Proteção Ambiental desde 1990, tendo por objetivo preservar a rica diversidade desse ecossistema amazônico. Além das belíssimas praias com dunas, manguezais e igarapés, na ilha pode-se admirar diversas espécies de aves, como o guará, a garça, o pavão, marrecos, papagaios, batuíra, maçaricos e outros.





Também pode-se encontrar preguiças, quatis, tamanduás, raposas, gatos do mato,  camaleões, mucuras, macacos de várias espécies, guaxinins, jacarés, jabutis, tartarugas, etc. Muitos peixes, como a pescada, anchova, corvina, cação, robalo e mariscos são típicos da região. Frutos do mar são encontrados com facilidade ao redor da ilha. 





Pescar na Ilha de Algodoal é um excelente programa. A Associação de Pescadores da Vila de Algodoal oferece saídas para pescaria. A fartura de peixe e a experiência dos pescadores da região garantem o sucesso da empreitada. A pesca em alto mar dura de 12 a 48 horas. Quem prefere programas mais curtos pode optar pela pescaria nas proximidades da ilha.





A brisa fresca que sopra sob o sol forte se mistura com o perfume das paisagens naturais da Amazônia. Nessa região há uma efervescência de costumes, ritmos, danças e registros históricos, que encantam a todos que por lá passam. As noites são divertidas e animadas ao som dos ritmos regionais, como o tecnobrega, o carimbó e muito reggae.






Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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